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OCT (Tomografia de Coerência Óptica): um exame que permite analisar o nervo óptico e a retina em detalhes

  • Foto do escritor: Dr. Guilherme Cunha
    Dr. Guilherme Cunha
  • há 1 dia
  • 3 min de leitura

A Tomografia de Coerência Óptica (OCT, do inglês Optical Coherence Tomography) é um exame de imagem não invasivo que utiliza feixes de luz para obter imagens de alta resolução da retina e do nervo óptico. De forma simples, pode ser comparado a uma “biópsia óptica”, capaz de mostrar estruturas microscópicas do olho sem necessidade de contato direto ou radiação.

Como o exame é realizado?

O paciente posiciona o queixo em um apoio semelhante ao utilizado em exames oftalmológicos de rotina. Durante alguns segundos, o aparelho realiza varreduras por meio de luz infravermelha e gera imagens em cortes das camadas da retina e do nervo óptico.

O exame é rápido, indolor e não invasivo. Na maioria das situações, não é necessário qualquer preparo especial.


O que o OCT avalia?

O OCT permite medir e analisar diversas estruturas importantes para a visão, incluindo:

  • Espessura das fibras do nervo óptico (camada de fibras nervosas da retina);

  • Camada de células ganglionares da retina;

  • Mácula, região responsável pela visão central e pelos detalhes;

  • Disco óptico (cabeça do nervo óptico);

  • Presença de edema, inflamação ou perda de fibras nervosas.


Por que o OCT é importante na Neuroftalmologia?

A neuroftalmologia estuda doenças que afetam a comunicação entre os olhos e o cérebro. Nessas condições, o OCT tornou-se uma ferramenta fundamental porque permite detectar alterações estruturais do nervo óptico que nem sempre são visíveis no exame clínico.

Além de auxiliar no diagnóstico, o exame possibilita acompanhar a evolução da doença ao longo do tempo e avaliar a resposta aos tratamentos.


Em quais doenças o OCT pode ser útil?

Neurite óptica

A neurite óptica é uma inflamação do nervo óptico que pode causar perda visual súbita, dor ocular e alteração na percepção das cores. Após o episódio agudo, o OCT pode demonstrar redução da espessura das fibras nervosas e das células ganglionares, refletindo o dano sofrido pelo nervo.


Esclerose múltipla

Pacientes com esclerose múltipla podem apresentar perda de fibras nervosas da retina mesmo sem sintomas visuais evidentes. O OCT auxilia na avaliação do comprometimento do sistema nervoso e no acompanhamento da doença.


Papiledema

O papiledema é o inchaço do nervo óptico causado pelo aumento da pressão intracraniana. O OCT ajuda a quantificar o edema e monitorar sua evolução ao longo do tratamento.


Pseudopapiledema

Algumas alterações benignas, como as drusas de nervo óptico, podem simular um papiledema verdadeiro. O OCT fornece informações importantes para diferenciar essas situações e evitar exames ou tratamentos desnecessários.


Neuropatias ópticas compressivas

Tumores, aneurismas ou outras lesões que comprimem as vias visuais podem provocar perda progressiva das fibras nervosas. O OCT permite identificar e quantificar esse dano estrutural.


O OCT substitui a consulta médica?

Não. O OCT é um exame complementar. Seus resultados devem sempre ser interpretados em conjunto com a história clínica, o exame oftalmológico, o campo visual e outros exames eventualmente necessários.

Uma alteração no OCT não significa automaticamente a presença de uma doença, assim como um OCT normal não exclui todas as condições neurológicas ou oftalmológicas. A interpretação correta depende da avaliação do especialista.


Quais são as limitações do exame?

Apesar de sua grande utilidade, o OCT pode ser influenciado por fatores como:

  • Movimentação durante a aquisição das imagens;

  • Opacidades dos meios oculares (catarata, por exemplo);

  • Alterações anatômicas individuais;

  • Artefatos de aquisição ou segmentação das camadas da retina.

Por esse motivo, os resultados devem sempre ser analisados por um profissional experiente.


Conclusão

A Tomografia de Coerência Óptica revolucionou a avaliação das doenças do nervo óptico e da retina. Por ser rápida, indolor e altamente precisa, tornou-se uma das principais ferramentas da neuroftalmologia moderna. O exame permite detectar alterações estruturais precocemente, acompanhar a progressão de diversas doenças e auxiliar na tomada de decisões terapêuticas, contribuindo para um cuidado mais preciso e personalizado da saúde visual.

 
 
 

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